Onosso ramo familiar no Brasil começa com a chegada em 16/05/1873, de Johann August Krause (com 30 anos), sua esposa Friederike Krause (com 32 anos) e seus três filhos: Hermann (com 8 anos), Carl (com 3 anos) e Bertha (recém-nascida). Esta família embarcou em Hamburgo em 01/04/1873 e chegaram ao Porto de Vitória através do Navio Adolph. Ficaram hospedados no Hotel de Imigrantes na ilha de Vitória e depois subiram o Rio Santa Maria da Vitória por canoas. Em Porto de Cachoeiro (hoje Santa Leopoldina), ainda ficaram hospedados um tempo aguardando a liberação das terras financiadas pelo Império. Califórnia é o nome do lugar.
Em Califórnia, a família desbravou a mata fechada, enfrentando animais silvestres e alterando a dieta alimentar que tinham na Europa. Livros sobre o tema da imigração alemã no Espírito Santo contam que os imigrantes precisaram aprender com os índios botocudos que viviam na floresta o que comer e como caçar, foi aí que as raízes como aipim, batata doce e inhame apareceram na alimentação dos imigrantes. Hoje, o brot, que é um pão típico pomerano, é feito no forno de barro com estas raízes e também milho.
No navio Adolph e outros navios que aportaram em Vitória em 1873 e 1874, trouxeram mais 4 famílias Krause e acreditamos que todos tinham grau de parentesco, porém, ainda não possuímos provas sobre isso. Em 1857 até 1860 chegaram os primeiros Krause mas ainda não foi estudada a relação deles com àquelas famílias que chegaram em 1873 e 1874. Essas informações podem ser conferidas no site do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, Projeto Imigrantes.
Bom, voltando ao nosso ramo familiar, em Califórnia, Johann August Krause e Friederike Krause conseguiram criar seus filhos e como é comum na tradição pomerana, os filhos devem adquirir novas terras. Califórnia deixou de ser o lar do nosso ramo familiar, os descendentes foram se espalhando pelo estado e país.
Emilio Krause, 4º filho de Hermann num total de 9 filhos, nasceu em 21/05/1892 e casou-se com Joahanna Pagung (também descendente de imigrantes) na Capela Luterana de Sapucaia, moravam num distrito chamado Ribeirão Capixaba, próximo à Pedra Azul em Domingos Martins. Tiveram 4 filhos. Emilio Krause faleceu de maneira trágica em 05/12/1922, Johanna Pagung casou-se novamente em 1928, agora com um brasileiro e teve mais 5 filhos. Por causa do falecimento do Emilio Krause, houve um rompimento dos laços tradicionais e memória familiar. Os filhos de Emilio não ensinaram o pomerano para seus descendentes, a maioria se tornou comerciante e se afastaram da região onde a família começou (Domingos Martins). Assim, nós, os descendentes de Emilio Krause não conhecíamos a nossa história e nem o local onde o nosso ramo familiar foi desenvolvido, haja vista o silêncio dos filhos do Emilio sobre este assunto. Estes filhos do Emilio foram falecendo, Dona Joahnna Pagung faleceu e foi perdido qualquer memória de que éramos realmente pomeranos.
Um dos filhos de Emilio, Theodoro Alberto Krause, casou-se com Santyles Christo (brasileira) em Linhares e tiveram 10 filhos. 9 foram registrados no mesmo dia e no mesmo cartório, assim o sobrenome Krause foi alterado para Craus. Eles cresceram, em sua maioria em São João do Sobrado, distrito de Pinheiros, onde Theodoro e Santyles tinham padaria, algumas terras e chegaram até a fazer transporte de pessoas e coisas pelo Brasil afora.
Nos anos 60/70 houve uma migração dos pomeranos e outros grupos étnicos para Rondônia, porém, Theodoro Krause resolveu adquirir terras em Santa Leopoldina. Lá tinham uma pensão no centro do município e também terras no distrito de Bragança. Em Bragança, Theodoro Krause faleceu quando fazia farinha num quitungo em 1981, vítima de ataque cardíaco.
Os 10 filhos de Theodoro e Santyles não possuíam o conhecimento da árvore genealógica e do seu histórico de imigração, sabiam por alto apenas sobre a morte prematura do Emilio. Foi quando em 2013, os 10 filhos resolveram fazer encontros de família e desses encontros houve o encaminhamento da pesquisa da árvore genealógica. A pesquisa foi realizada por Stela Lichtenheld Craus que conseguiu encontrar documentos e informações sobre a história da família até chegar no imigrante Johann August Krause. A investigação foi realizada através do Recenseamento do governo federal de 1920, nos livros da Igreja Católica, no Cartório Romaguera que fica em Paraju (antigo Sapucaia em Domingos Martins) e nas Paróquias Luteranas de Campinho, Melgaço e Califórnia, principalmente na pessoa do Pastor Anivaldo Kuhn, a qual agradecemos de todo coração. A pesquisa da árvore genealógica ainda não terminou, em 2017 faremos a pesquisa na Alemanha, nos arquivos de Hamburg e onde mais tiver documentos.
Os encontros da família acontecem regularmente de 6 em 6 meses, cada vez na casa de um dos 10 irmãos. Mesmo sendo encontros voltados para os descendentes de Theodoro Krause e Santyles Krause, os parentes que possuem relação com a família podem ficar à vontade para festejar conosco e saber sobre o que estamos fazendo. Afinal, nosso objetivoé congregar cada vez mais pessoas da família que sejam descendentes do imigrante Johann August Krause e também comprovar parentesco com os descendentes das outras famílias Krause que chegaram no período da imigração não importando se o nome está escrito com a grafia diferente.
Bom, este foi um resumo da nossa história familiar. Um texto completo e com referências será divulgado no próximo ano na ocasião do lançamento do Livro Crônicas da Família Craus/Krause, que será o relato de vida dos 10 filhos de Theodoro. Antes do relato será apresentado nosso histórico familiar da imigração, com um texto mais completo e com o nome de todos da nossa árvore genealógica.
KRAUSES, UNI-VOS!
Stela Lichtenheld Craus
Arquivista